O que é personal organizer - Organizar Transforma

O que é personal organizer

Quando se fala em organização, a figura do personal organizer é sempre lembrada.  Embora a cada dia as pessoas conheçam mais sobre o assunto, ainda há muitas dúvidas em torno do que o profissional oferece, como são os serviços e o que pode ser transformado, quando o assunto é organização da casa.

Por isso, respondi 6 perguntas que já recebi sobre a minha profissão. Vem comigo saber muito mais sobre o que é personal organizer e os benefícios de contratar um! 

1. O que é personal organizer e por que esse profissional vem se tornando tão importante?

O personal organizer auxilia seus clientes por meio de técnicas e ferramentas para ajudar na organização, que gera uma transformação que se reflete no bem-estar e na qualidade de vida das pessoas. 

O profissional é importante por 2 motivos: o primeiro, é que ao longo do tempo, foi ficando claro que nós não aprendemos a nos organizar. Então, o personal organizer, geralmente, ensina o cliente a fazer isso. 

Ou seja, o meu papel, quando eu vou à casa de um cliente, não é organizar por ele, mas sim, ensiná-lo a organizar sua casa. Ele passa a pensar a organização de uma forma mais sistemática e estratégica e, com isso, passa a ter muito mais bem-estar e qualidade de vida. 

E o segundo motivo é que as pessoas conheceram os benefícios da organização. A partir do momento em que elas descobrem que é possível ganhar tempo, otimizar os processos e ter mais qualidade de vida, elas percebem que faz sentido investir na melhoria da organização da casa e ter todos os benefícios que tal mudança oferece. 

2. Quais são as principais dificuldades das pessoas quando o assunto é organização da casa? 

Acredito que existam quatro grandes dificuldades nesse sentido. E eu as explico com mais detalhes a seguir. 

O reconhecimento do problema

O primeiro ponto é o reconhecimento do problema. A pessoa precisa reconhecer que ela não sabe organizar e que está tendo dificuldades. Ela precisa assumir essa dificuldade na organização, porque só é possível mudar algo quando assumimos a responsabilidade. 

Então, mesmo que existam outros moradores e que todos compartilhem da organização da casa, é importante que alguém dê o primeiro passo para mudar a situação, e geralmente é aquele que está mais incomodado. 

Assim, o bacana é que todo esse aprendizado pode e deve ser compartilhado entre todos, para que eles também sejam capazes de implementar as técnicas e conhecer as ferramentas. 

A falta de tempo

O segundo grande problema quando o assunto é organização tem a ver com a falta de tempo. A vida das pessoas hoje está muito corrida, todo mundo tem muitas tarefas e muitos compromissos. Por isso, as pessoas acabam deixando a organização de lado, porque não têm muito tempo para priorizar essa questão. 

Mas o que elas não percebem é que justamente quando organizam, ganham mais agilidade. Então, é preciso dedicar alguns momentos para conseguir fazer o processo de organização corretamente para que, no futuro, você consiga ter mais tempo

Com o espaço mais organizado, é possível otimizar os momentos livres, já que você não vai perder tempo procurando coisas, comprando itens errados, perdendo itens dentro de casa ou brigando com a família porque não encontra alguma coisa. 

A mudança dos hábitos

Além do reconhecimento do problema e da falta de tempo, é preciso ter uma mudança dos hábitos. Para ter uma casa organizada, não basta colocar tudo em ordem. É preciso ter hábitos para manter. 

Então, é por isso que a gente faz uma organização muito mais estratégica, para que cada cliente possa ter hábitos simples, por meio de mudanças fáceis e que consigam manter. Sim, é preciso ter novos hábitos para que a organização seja efetiva e duradoura.

O excesso de itens que levamos para dentro de casa

O quarto e último grande problema quando o assunto é organização tem a ver com os excessos. O excesso de brinquedos, de papéis, de roupas… Isso é um desafio muito grande na organização, especialmente quando é um excesso que a gente não usa. 

Então é muito importante cuidar da quantidade de itens que se leva para dentro de casa, que se compra, que se ganha. 

Assim, é preciso cuidar das quantidades de itens que trazemos e que decidimos manter. Porque em virtude da dificuldade em desapegar, esses elementos acabam acumulando e dificultando muito a organização. 

3. Em que contextos o personal organizer deve ser contratado? Em que situações o trabalho desse profissional faz diferença?

Tanto na consultoria que ofereço presencialmente, quanto no meu curso online, eu acredito que o profissional deva ser contratado quando há um incômodo na casa ou na família referente à organização. 

Sempre falo que o serviço de personal organizer não é algo que possa servir como um presente para alguém, algo que os clientes possam pensar “eu vou dar o curso ou a consultoria presencial para minha mãe ou amiga, porque a casa dela está bagunçada”. Isso não é possível porque é preciso que haja um incômodo da própria dona ou moradora da casa, é ela quem deve buscar o serviço. 

E também não importa se há “pouca bagunça” ou “muita bagunça”. O profissional de organização sempre vai ajudar com as ferramentas e as técnicas que funcionarão dentro da casa de cada cliente, de forma personalizada. Eu, por exemplo, já tive clientes muito bagunceiros e pouco bagunceiros e em ambos os casos tivemos resultados excelentes.

Eu acredito que seja um tipo de trabalho que independe do contexto, seja uma casa com uma pessoa ou uma casa com 10 pessoas, se é um escritório ou se é um outro espaço físico, é o trabalho de um profissional que consegue mudar o ambiente em que a pessoa vive e ajudar para que ela tenha muito mais praticidade, bem-estar e qualidade de vida.

No meu trabalho, especificamente, seja na consultoria ou no curso, eu ajudo a pessoa a identificar o problema e os pontos de melhoria. E isso é bem diferente de apenas arrumar. Trata-se da mudança na forma de pensar. 

Existem profissionais de organização que fazem esse trabalho sem o cliente. Fazem o processo, mostram ao cliente, etiquetam e vão embora. Para algumas pessoas isso funciona super bem, especialmente para aquelas que já são mais organizadas. Mas para outras isso não é o suficiente, porque elas não entenderam o processo e não conseguem manter depois. 

Como na minha jornada, aprender o processo transformou minha vida, sempre levo isso para o meu trabalho, buscando não apenas deixar os armários organizados, mas mudar a forma de pensar a organização e de fazer escolhas, extrapolando a organização da casa do cliente ou das minhas alunas.

No meu curso online, por exemplo, eu ofereço uma forma de organização que vai funcionar para ela e fazer diferença no dia a dia, na casa e nas relações.

4. Existe muita confusão acerca dos serviços realizados por esse profissional? 

Sim, a confusão existe porque, além de ser uma área bastante nova, existem tipos diferentes de profissionais e de serviços que cada um oferece. Existem especialistas em áreas, como baby organizer ou profissionais focados em luto, por exemplo. 

De forma geral, além dessas especializações, dividiria em dois grupos. Existem os profissionais que oferecem o serviço de organização e fazem pelo cliente e outros que fazem junto do cliente, nesse caso, buscando transformar a maneira de pensar e agir do cliente de uma forma mais definitiva. 

No primeiro caso, eles se deslocam até a casa sem que o cliente esteja presente, fazem a organização, mostram o que foi feito e o cliente segue. Alguns profissionais fazem, por exemplo, visitas de manutenção. 

E também existem profissionais que têm todo um processo de triagem além de avaliação de hábitos e costumes. Esse é o meu caso. Gosto da metodologia que trabalho pois consigo entender e ajudar de forma mais personalizada o que aquela pessoa precisa e crio o melhor sistema para ela. Meu objetivo é ensinar meu cliente a ter independência. 

5. Como você decidiu se tornar personal organizer? Conta um pouco da sua experiência e da sua história. 

Eu, na verdade, sempre gostei de organizar. Desde pequena eu sempre gostei de organizar meu quarto e de manter tudo em ordem, mas, ao mesmo tempo, tinha muita dificuldade. Eu sempre passava os sábados ou os finais de semana, quando eu morava com os meus pais, organizando o quarto e, depois de uns dois meses, estava tudo desorganizado de novo. 

Então, para mim, esta situação era extremamente frustrante. Mas, ao mesmo tempo, organizar era algo que me acalmava quando eu estava muito estressada. Muitas vezes, quando eu precisava resolver alguma coisa importante eu precisava organizar antes, porque eu não conseguia pensar quando as coisas estivessem muito bagunçadas. 

O problema é que meus pais não me deixavam organizar a casa deles do jeito que eu gostaria. Então, pra mim, a culpa da bagunça era dos meus pais. Quando eu me casei, eu tinha 25 anos e tinha a certeza de que eu faria da minha casa o lugar mais organizado do mundo, mas não foi o que aconteceu. 

E conforme a bagunça foi piorando, eu sofria com o estresse, a angústia e eu percebi que isso ocasionava brigas em casa, porque eu comprava coisas de que eu não precisava, gerava gastos de dinheiro e perda de tempo. 

E mais: tudo colapsou com a chegada dos meus filhos, porque eu fui juntando coisas para abrir espaço para a chegada deles e chegou um momento em que eu percebi que eu não encontrava nada. Eu precisava da carteirinha de vacinação e eu nunca sabia onde estava. Precisava ir à pediatra e não conseguia saber onde estavam as coisas. Até meus próprios itens, quando eu precisava encontrar um papel, eu ficava horas para encontrar!

Eu precisava de ajuda e descobri uma possibilidade de ajudar outras pessoas

E com tudo isso eu fui buscar ajuda, porque eu queria entender quais eram os erros que eu estava cometendo, afinal, eu não conseguia manter minha casa organizada. E aí eu fui estudar com o objetivo pessoal de resolver meu próprio problema de bagunça, de organização. 

Concluí diversos cursos de formação, a fim de entender como a gente organiza a casa, também fiz cursos de organização emocional, gestão doméstica. Por fim, me especializei no método KonMari com a própria Marie Kondo em Nova Iorque. Foi então que passei a entender o que estava por trás da organização, quais eram as ferramentas e como a gente pode implementar isso em casa. 

E talvez por eu já gostar do assunto, eu fui me apaixonando! Assim, passei a identificar os erros simples que a gente comete no dia a dia e que geram um problema enorme de bagunça.

Foi durante essa minha jornada de descoberta e de conseguir colocar minha casa em ordem que eu percebi a qualidade de vida que a organização me trouxe, o bem-estar, o quanto eu ganhava de tempo, o quanto eu economizava de dinheiro, o quanto eu aprendi a fazer escolhas mais conscientes. E percebendo tudo isso, eu comecei a querer ajudar as minhas amigas e as pessoas à minha volta. 

E então, sem querer, eu passei a ajudar as minhas amigas, elas começaram a perceber os benefícios a contar para outras e elas começaram a me chamar para ajudar também. Foi assim que percebi que meu desafio pessoal havia virado meu novo trabalho. 

Personal organizer como estilo de vida e profissão

Foi a partir de então que eu comecei a buscar formas e ferramentas para atuar na casa dessas pessoas, de conduzir o processo de conseguir envolver as pessoas para que elas aplicassem a metodologia, aplicassem essas mudanças e pudessem transformar as suas vidas. 

Hoje eu me sinto muito realizada com a minha profissão, porque cada vez mais eu vejo o quanto a organização da minha casa é prazerosa, o quanto ela muda a minha vida, a vida dos meus filhos, do meu marido, o quanto a gente se beneficia desse processo e o quanto eu consigo ajudar as pessoas, tanto as minhas alunas quanto as clientes, quando eu vou à casa delas. É gratificante saber o quanto é possível transformar as vidas a partir da organização da casa. Eu me encontrei muito nessa profissão, nesse caminho. 

6. Qual é o futuro do personal organizer? Acredita que haverá uma importância maior do profissional com o contexto pós-pandemia?

Com certeza acredito! As pessoas que tiveram de ficar mais tempo dentro de casa perceberam o quanto a casa é o lugar em que podemos ter o controle. A pandemia mostrou duas coisas: primeiro que a gente não tem controle sobre o externo, a gente tem o controle sobre o interno. Então, a nossa casa é um lugar do qual a gente pode ter o controle. 

E a segunda coisa é que passar o tempo em casa pode ser prazeroso também. Muita gente vivia fora de casa e hoje precisou aprender a trabalhar, a cuidar dos filhos, a fazer ginástica, a preparar comida e fazer todas as coisas dentro de casa. 

Então eu acredito que as pessoas foram levadas a confrontar suas casas e, com isso, precisaram olhar os pontos positivos e os pontos negativos. 

Com a pandemia, as pessoas precisaram confrontar a própria bagunça

Eu acredito que a pandemia tenha sido um divisor de águas que mostrou para as pessoas a importância da organização. Ao mesmo tempo, ela revelou um grande desafio, porque muita gente ainda está sem tempo nesse período, por diversos motivos. 

Mas eu acredito que, sim, ela vai mostrar tanto o quanto nós podemos simplificar e facilitar nossa vida e o quanto a organização vem para nos ajudar e não nos atrapalhar. 

E quanto à profissão personal organizer, há cerca de 4 anos, quando eu comecei na profissão, aqui no Brasil existia um padrão de que esse profissional organiza a casa da pessoa sem a presença dela. Eu enxergava de outra forma. 

Para mim, como o processo de organização me modificou, eu sempre entendi que preferia ajudar as pessoas e não somente mudar a casa delas. Meu processo sempre acontece junto das pessoas, nunca só com a casa. Nunca nenhum cliente me deixou a chave e foi embora. Sempre os clientes ficaram comigo, para aprender o processo, aprender a fazer a triagem, as escolhas. 

E hoje, com toda essa questão da pandemia, as pessoas estão começando a ter esse olhar de que é importante elas participarem do processo. 

Dessa forma, elas terão também muito mais autonomia para fazer mudanças e melhores escolhas, além de terem cada vez mais qualidade de vida e bem-estar dentro de suas casas. 

E você, ainda tem alguma dúvida sobre o universo da organização e a atuação do personal organizer? Aproveite para deixar aqui, nos comentários, e nas minhas redes sociais. Pode ter uma segunda rodada sobre o assunto!