Acumuladores Compulsivos - Organizar Transforma

Acumuladores compulsivos: conheça o transtorno que leva ao acúmulo desenfreado

Todo mundo tem um parente ou um amigo que guarda diversos objetos e tem a famosa “bagunça” em casa. Entretanto, existe uma grande diferença entre os colecionadores e os acumuladores compulsivos.

É bem comum ter apego a objetos que remetam a alguém ou a alguma situação específica. Por isso, muitas pessoas guardam cadernos e diários de anos atrás, camisas de futebol da infância, brinquedos ou algum outro item associado a alguém ou algum momento especial. Guardar e honrar itens sentimentais é saudável e faz parte da forma como nos lembramos e contamos a nossa história.

Mas no caso dos acumuladores compulsivos, não se trata de nenhuma dessas situações, mas sim de uma questão de saúde: o transtorno chega a afetar cerca de 4% da população ao redor do globo, de acordo com especialistas.

E se engana quem pensa que a doença afeta exclusivamente idosos. Tal noção é comum porque como o transtorno pode começar aos 11 a 15 anos, ao chegar a uma idade avançada os acumuladores já contam com muitos objetos e o problema já costuma estar bem agravado.

Então, hoje eu te conto um pouco sobre essa condição, que pode afetar a saúde mental e, consequentemente, a rotina de quem convive com o transtorno.

O que é Transtorno de Acumulação Compulsiva?

De uma forma simplificada, o Transtorno de Acumulação Compulsiva (também conhecido como “disposofobia”, ou medo de descartar) pode ser definido como a dificuldade persistente em descartar ou doar qualquer um dos pertences, mesmo que eles não apresentem mais nenhuma utilidade ou valor.

Este comportamento gera efeitos devastadores, sejam eles emocionais, físicos, sociais ou financeiros. Além desses, os acumuladores compulsivos e suas famílias também podem contar com problemas de ordem legal, já que o comportamento obsessivo pode oferecer riscos à saúde de outras pessoas que vivem em locais próximos a essas pessoas.

Acumuladores compulsivos x colecionadores

O Transtorno de Acumulação Compulsiva também é chamado de “Transtorno de Colecionamento” por psiquiatras. E embora muitas pessoas confundam a condição com os hábitos de um colecionador tradicional, há muitas diferenças entre as duas situações.

Enquanto um colecionador se preocupa em guardar objetos que estejam relacionados a uma característica ou categoria específica (podem ser selos, figurinhas, raridades ou outros), os acumuladores juntam em seus espaços físicos todos os objetos que podem. De roupas a brinquedos, de livros e revistas em péssimo estado a eletrodomésticos quebrados, de papéis de embalagens a caixas, utensílios desnecessários, dentre outros.

Ou seja, o comportamento dos acumuladores está relacionado diretamente a uma impossibilidade de descartar qualquer item, a uma dificuldade crônica em praticar o desapego. E os objetos acumulados são aleatórios, assim como as justificativas que eles oferecem para esse acúmulo.

Os hoarders, ou seja, as pessoas que sofrem com a acumulação compulsiva, têm a sensação de que os objetos poderão valer muito no futuro ou temem que eles façam falta em algum momento. E, geralmente, são os parentes e amigos que identificam o problema, já que a própria pessoa muitas vezes não percebe que sofre de um transtorno.

Outra diferença entre os acumuladores e os colecionadores é a capacidade de organização. Enquanto os colecionadores também organizam seus pertences de forma lógica, catalogados por ordem cronológica ou alfabética, os acumuladores costumam ter casas com pilhas de objetos que nem eles mesmos são capazes de enumerar ou encontrar.

Dessa forma, o acúmulo de pertences atola pias, mesas, cadeiras e prateleiras. Em casos ainda mais graves, os objetos chegam a cobrir corredores e chão, até que não haja mais espaço nem para o trânsito de pessoas.

 

 

Outros problemas comuns em acumuladores compulsivos

Com o excesso de itens e consequente desorganização, falta de espaço e condições sanitárias precárias, a qualidade de vida dos acumuladores compulsivos é mínima.

Por isso, frequentemente há outros problemas que acompanham o transtorno, tais como alcoolismo, TOC, síndrome do pânico e depressão.

Além da dificuldade de descartar objetos, mesmo aqueles que estão velhos ou quebrados, os acumuladores sofrem com outras situações. Os principais são:

Problemas de organização e higiene

  • Impossibilidade de organizar seus pertences;
  • Acúmulo de objetos em todos os cômodos da casa. Frequentemente, até ambientes externos são afetados, como jardins, varandas e até mesmo o interior de carros;
  • Necessidade de procurar e adquirir novos objetos, mesmo quando já têm vários do mesmo tipo;
  • Restos de comida guardados ou espalhados pela casa, comprometendo a higiene do ambiente.

Problemas de relacionamento

  • Impossibilidade de convívio familiar e entre amigos;
  • Estresse com o isolamento, mas falta de habilidade em procurar auxílio médico.

Problemas de saúde física

Com a precariedade da higiene, especialmente em casos mais graves, os pertences e/ou lixo podem tomar conta de pias, banheiro e fogão. Dessa forma, os acumuladores ficam impedidos de cozinhar, usar o sanitário ou até tomar banho.

Assim, a falta de higiene e saneamento apropriado nesses lugares gera riscos para a saúde, como infecções, alergias e doenças causadas por bactérias, fungos e vírus.

Outro problema que ocorre com frequência em virtude da desorganização são lesões resultantes de quedas acidentais ou até mesmo soterramento.

Problemas de saúde mental

O isolamento provocado pelo transtorno e suas consequências pode levar o acumulador a sofrer quadros de depressão graves.

Além disso, há diversos fatores que levam à estresse, ansiedade e síndrome do pânico, como medo excessivo de ficar sem um objeto e a sensação de que não podem jogar nada no lixo, pois poderão necessitar dele no futuro.

Causas do transtorno

Embora as causas exatas do transtorno sejam desconhecidas, especialistas desenvolveram estudos que demonstram algumas possibilidades. As mais comuns têm a ver com estresse pós-traumático, ou seja, algum evento que serviu como gatilho para o desenvolvimento da síndrome.

Entretanto, há outras possibilidades, como danos cerebrais permanentes, parentes ou amigos próximos que também sofram com o transtorno, depressão ou transtorno obsessivo compulsivo.

Além desses, a oniomania (também conhecida como o distúrbio que leva pessoas a comprarem por compulsão) e incapacidade de recusa a cupons e promoções também podem desencadear o apego a objetos.

Tratamento

É comum que os acumuladores compulsivos não procurem tratamento, especialmente quando o problema ainda não demonstra tantas consequências visíveis. Isso acontece com frequência porque eles não acreditam que precisem de tratamento ou sequer imaginam que sofram de algum distúrbio.

Dessa forma, parentes e amigos têm um papel fundamental na ajuda e suporte a esses indivíduos. Mas como a situação em que os acumuladores compulsivos vivem já pode levar à ausência de convívio social, muitas vezes essas pessoas vivem em completo isolamento, o que dificulta ainda mais o diagnóstico, tratamento e a cura.

A terapia comportamental é uma das opções mais efetivas na reabilitação de pessoas com o transtorno de acumulação compulsiva. Por meio dela, é possível analisar o histórico do indivíduo, bem como as causas da ansiedade, que podem ter servido como gatilhos.

Entretanto, médicos psiquiatras podem receitar antidepressivos como complemento ao tratamento, especialmente para inibir o desejo de comprar e acumular. Dessa forma, a doença, que pode ser resultado de uma autocompensação, é controlada e os acumuladores compulsivos poderão ter uma vida mais saudável e normal.

Você já teve contato com alguém que estava sofrendo com o acúmulo de itens em sua casa?

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